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29
Out
2026
Clear whey e bebidas proteicas: para onde o mercado está indo

Clear whey e bebidas proteicas: para onde o mercado está indo

A proteína saiu da academia e virou argumento de prateleira. O formato que mais chama atenção agora é o clear whey: leve, transparente e com cara de suco. Nesta edição, vamos ver o que move essa categoria, o que muda na formulação e quais caminhos regulatórios existem para quem quer lançar.

O mercado está crescendo, e mudando de formato

Os números de 2025 e 2026 mostram uma aceleração clara. Dados da Scanntech indicam que o volume de whey protein no varejo cresceu 124% entre janeiro e outubro de 2025.[1] Um estudo da Bain divulgado em 2026 aponta que o mercado de whey dobrou de tamanho no Brasil e projeta crescimento de cerca de 7% ao ano em volume nos próximos cinco anos, puxado pelo uso de medicamentos GLP-1 e pela busca por longevidade.[2]

As bebidas proteicas já são uma categoria própria. Segundo dados da Euromonitor citados pela Forbes, elas movimentam cerca de R$ 1 bilhão no Brasil, e os alimentos com proteína adicionada somam outros R$ 2 bilhões.[3] No mundo, as estimativas para o clear whey giram em torno de US$ 550 milhões em 2025, com crescimento próximo de 7% ao ano.[4]

Três movimentos ajudam a explicar o interesse:

  • Conveniência: o consumidor quer proteína pronta para beber, sem coqueteleira.
  • Público novo: quem usa GLP-1 precisa preservar massa magra com pouco volume de comida, e a bebida proteica resolve isso.
  • Refrescância: o clear whey se aproxima de um suco ou de um isotônico, longe do shake cremoso e pesado.

Há também uma pressão de custo. Com a demanda em alta, o whey ficou mais caro, e a indústria passou a testar outras fontes, como proteínas vegetais.[5] Em 2026, por exemplo, chegaram ao mercado brasileiro bebidas vegetais com apelo proteico.[5]

O que é clear whey, tecnicamente

O clear whey é, em geral, um isolado de proteína do soro de leite processado e acidificado para ficar transparente em meio ácido. Os ingredientes comerciais desse tipo trabalham em pH próximo de 3,2 a 3,4.[6][7] Nessa faixa, a proteína fica solúvel e límpida, e a bebida ganha perfil de suco: sabor de fruta, acidez marcante e corpo leve.

Em pH neutro a história é outra. Bebidas prontas com teores de proteína a partir de cerca de 4% tendem a turvar ou gelificar,[8] e é por isso que a maior parte das bebidas proteicas cremosas usa outra estratégia de formulação e de processo.

Os desafios de formulação

Transparência e estabilidade não vêm de graça. Os pontos que mais exigem atenção na bancada são:

  • Adstringência: proteína do soro em pH baixo tende a deixar sensação de boca seca. Pesquisas associam essa adstringência à interação da proteína com as proteínas da saliva.[9] A escolha do ingrediente e o equilíbrio entre ácido, doçura e aroma fazem muita diferença.
  • Tratamento térmico: a proteína do soro é mais estável ao calor em meio ácido, mas ainda pode agregar e sedimentar dependendo do binômio tempo e temperatura.[9] O processo de envase precisa ser definido junto com a fórmula.
  • Turbidez causada por outros ingredientes: aromas, corantes, minerais e extratos podem comprometer a transparência, mesmo com uma proteína adequada.[7]
  • Espuma e aparência: proteína em solução forma espuma, o que afeta o envase e a primeira impressão do consumidor.
  • Custo por porção: o isolado é a matéria-prima mais cara da fórmula, e o teor de proteína define o preço final.

O enquadramento regulatório vem antes da fórmula

A mesma bebida com proteína pode seguir caminhos regulatórios diferentes. A escolha muda o órgão responsável, os requisitos de composição, o que pode ser dito no rótulo e até o tipo de fábrica que pode produzir.

Suplemento alimentar

ANVISA · RDC 243/2018 · IN 28/2018. Exige proteína de qualidade comprovada e segue listas de constituintes, limites e alegações autorizadas, atualizadas com frequência, inclusive em 2026.[10]

Alimento com alegação

ANVISA · RDC 429/2020 · IN 75/2020. Uma bebida convencional pode declarar "fonte" ou "alto conteúdo" de proteínas, desde que atenda aos critérios da rotulagem nutricional.[11]

Produto lácteo

MAPA. Bebidas com base láctea seguem o padrão de identidade do MAPA. A bebida láctea, por exemplo, precisa ter no mínimo 51% de base láctea.[11]

Na prática, a decisão depende do conjunto: concentração de proteína, outros ingredientes, denominação de venda, alegações e comunicação. Definir esse caminho no início do projeto evita reformular depois.

O que observar antes de lançar

  • Qual fonte de proteína cabe no custo-alvo: isolado de soro, blends ou proteína vegetal.
  • Qual o teor de proteína por porção que sustenta a comunicação pretendida.
  • Qual o perfil de sabor: refrescante e ácido (clear) ou cremoso (pH neutro).
  • Qual o processo de envase disponível na fábrica e o shelf life esperado.
  • Qual o enquadramento: suplemento, alimento com alegação ou produto lácteo.

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Referências

  1. Band. Consumo de produtos proteicos cresce e muda hábitos alimentares no Brasil, jan. 2026 (dados Scanntech). band.com.br
  2. Bain & Company. Mercado de whey protein dobra de tamanho com avanço do GLP-1 e busca por longevidade, 2026. bain.com
  3. Forbes Brasil. Na onda do whey, bar de drinks proteicos quer ser "Starbucks da proteína", mar. 2026 (dados Euromonitor). forbes.com.br
  4. Polaris Market Research. Clear Whey Protein Market, 2026-2034. polarismarketresearch.com
  5. Movimento Econômico. Proteína em alta encarece whey e leva indústria a apostar em carne e vegetais, set. 2026. movimentoeconomico.com.br
  6. Leprino Foods. Pre-acidified whey protein isolate, ficha técnica. knowde.com
  7. Actus Nutrition. Formulating with clear whey protein. actus.com
  8. USPTO. Beverages having clear appearance, shelf stability, high protein, and neutral pH (patente). uspto.gov
  9. Massey University. Tese sobre adstringência e estabilidade de proteínas do soro em bebidas ácidas. massey.ac.nz
  10. ANVISA. Instrução Normativa nº 28/2018 (texto compilado). anvisa.gov.br
  11. ANVISA, RDC nº 429/2020 e IN nº 75/2020 (rotulagem nutricional); MAPA, IN nº 16/2005 (bebida láctea).
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